Guardas prisionais decidem manter greve na prisão de Vale de Judeus
Os guardas prisionais da cadeia de Vale de Judeus (Azambuja, distrito de Lisboa) de onde fugiram cinco reclusos em 2024, decidiram manter a greve que começa terça-feira, anunciou hoje o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).
Este sindicato, que entregou um pré-aviso de greve para o período de 10 de março a 30 de abril, admitiu desconvocar o protesto no final de fevereiro por considerar, depois de uma reunião com a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP), que estava a ser reforçada a segurança na prisão de Vale de Judeus.
No entanto, explicou à Lusa o presidente do SNCGP, Frederico Morais, as promessas de reforço de segurança não foram ainda colocadas em prática. Na última reunião, a DGRSP mostrou-se disponível para colocar redes nos pátios e para limpar alguns espaços, mas estas promessas, segundo Frederico Morais, ainda não foram cumpridas.
"Não podemos compactuar com mais falta de segurança", acrescentou o presidente do sindicato representante dos guardas prisionais, que referiu que os inibidores de sinal ainda não estão a funcionar.
Segundo o sindicato, os presos da cadeia de Vale de Judeus que não têm atividades - não estudam, nem trabalham - terão o horário de pátio reduzido e vão ficar nas respetivas celas 22 horas por dia.
A redução dos horários de pátio é, aliás, uma das reivindicações desta greve, à semelhança daquilo que aconteceu na cadeia do Linhó, onde os reclusos sem atividades viram os seus horários reduzidos.
O número de visitas também será reduzido para todos os presos, que "passam a ter só uma visita por semana", acrescentou o sindicato que emitiu o aviso prévio de greve, referindo ainda que a greve terá impacto nas idas a consultas e a tribunal.
O principal motivo desta greve é a segurança, que o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional considera não ter sido suficientemente reforçada desde a fuga de cinco presos, em setembro de 2024.
Para reforçar a segurança da prisão de Vale de Judeus, o Ministério da Justiça anunciou a instalação de inibidores de sinal, que bloqueiam os sinais de telemóveis e de drones, mas o sistema ainda não está em funcionamento.
A construção de duas torres de vigilância foi outro dos reforços, tendo a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais lançado dois concursos que não atraíram candidatos e, segundo as últimas informações prestadas à Lusa, será lançado um terceiro concurso.